talvez

by - julho 28, 2021

 


talvez

 

a palavra ainda caminha presa neste sonho

pés inchados

ferida

 

caixa torácica:

 

     corro

     tempo que não para

     morro

     na próxima esquina

 

outra noite oca

outra manhã incerta

vento frio

assovio

a palavra chicoteia as horas

 

pinta um rosto

no vão da memória

límpido

líquido

ilusório

 

chama-lhe

madrugada

dia outro

nome-manhã

 

há sede

há fome

 

dói pensar no nunca mais

palavra última

palavra não dita

a escorrer da boca

 

silêncio:

 

     não dói pensar que talvez eu morra




Poema publicado na Antologia Identidades, Editora Venas Abiertas, 2021.

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