ardina

by - julho 29, 2021


 

ardina


antes que morra o último poeta


atira-me o último verso

de flores de amores sem rimas

nada que tenha medida

pode limitar o que quero


antes que morra o último poeta


borda o viés da minha alegria

com os beijos pedidos em silêncio

pois da palavra impronunciável

escorre visgo de estrela: poesia


antes que morra o último poeta


que brade seu poema-protesto

pelas ruas injustas de fome invisível

uma rima suja pedinte na esquina

e grite a poesia bastarda

– Morre hoje o último poeta.  




Poema publicado na Antologia Identidades, Venas Abiertas, 2021

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