Tânia Souza comenta o livro "Palavras Póstumas"
Leia Diana Pilatti
Palavras Póstumas
Prefácio
Na palavra puída
Esculpi meu silêncio
Meu epitáfio-socorro
Última prece
Ao amor estilhaço
Eu canto
Diana Pilatti
*
A coleção II Mulherio das Letras está solta no mundo. Publicado pela Editora Venas Abiertas apresenta 15 autoras, 15 olhares literários que nos enchem de alegria e esperança. Participei com o livro “Entre as rendas dos ossos e outros sonhos desabitados” vol. 15 da coleção.
A cada leitura, desvendo um universo diferente. Hoje, apresento a vocês o livro Palavras Póstumas, de Diana Pilatti. A poeta publicou em 2019, na Coleção Mulherio das Letras I, o livro Palavras Avulsas. Uma edição belíssima no qual o fazer poético, a metalinguagem e a força da poesia transbordaram das páginas.
Palavras Póstumas, vol. 5 da Coleção II é um livro não pode ser definido com uma só palavra, mas a primeira que me ocorreu foi: INTENSO.
São poemas que carregam em seus versos e rimas, histórias não contadas, cenas assombrosas que nos espiam nas entrelinhas dos vocábulos.
Há muito do cotidiano nos poemas. A mulher, a mãe; o quarto, a cozinha, a casa. A mesa posta, o sabor de um bolo, o rascunho de um poema amassado no chão. O futebol na tv. A água caindo no chuveiro. Um sonho rasgado. Há também as estrelas, os ponteiros do relógio, a infinidade das horas, a palavra como resistência.
Ainda nesta publicação, as ilustrações de Eliane Fraulob reencontram a poesia do inusitado. Reconheço nestas páginas a rotina da mulher devastada pelo medo. Cerceada em sua arte, em seu brilho, entendida como objeto e posse. Todavia, tudo é muito sutil, e por isso nos espantamos a cada leitura. Talvez nem todas as pessoas reconheçam o vislumbre sombrio em cada poema.
Para quem quiser conhecer um pouco deste conteúdo, Diana já nos havia apresentado o poema Sete Mortes, em uma edição prévia belíssima em parceria com Vini Willyan, disponível aqui.
A violência pode ser física, psicológica, patrimonial.
E tão invisível, solitária. Palavras Póstumas é poesia de estilhaçar solidão com espelho-espanto e em cada desvio que oferece, traz aroma de liberdade nas frestas das palavras.
Não há como negar, é um livro triste. E belíssimo. Aos poetas cabe também a arte de captar ou traduzir o belo, ainda que no feio. E isso Diana o faz de forma maravilhosa.
Texto original no Facebook.
Para ler alguns poemas do livros "Palavras Póstumas", clique aqui.

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