Tânia Souza comenta o livro "Palavras Póstumas"

by - setembro 18, 2020

 

Leia Diana Pilatti 

Palavras Póstumas 

Prefácio

Na palavra puída

Esculpi meu silêncio

Meu epitáfio-socorro 

Última prece 

Ao amor estilhaço

Eu canto 

Diana Pilatti 

*

A coleção II Mulherio das Letras está solta no mundo. Publicado pela Editora Venas Abiertas apresenta 15 autoras, 15 olhares literários que nos enchem de alegria e esperança. Participei com o livro “Entre as rendas dos ossos e outros sonhos desabitados” vol. 15 da coleção.

A cada leitura, desvendo um universo diferente. Hoje, apresento a vocês o livro Palavras Póstumas, de Diana Pilatti. A poeta publicou em 2019, na Coleção Mulherio das Letras I, o livro Palavras Avulsas. Uma edição belíssima no qual o fazer poético, a metalinguagem e a força da poesia transbordaram das páginas.

Palavras Póstumas, vol. 5 da Coleção II é um livro não pode ser definido com uma só palavra, mas a primeira que me ocorreu foi: INTENSO. 

São poemas que carregam em seus versos e rimas, histórias não contadas, cenas assombrosas que nos espiam nas entrelinhas dos vocábulos.

Há muito do cotidiano nos poemas. A mulher, a mãe; o quarto, a cozinha, a casa.  A mesa posta, o sabor de um bolo, o rascunho de um poema amassado no chão. O futebol na tv. A água caindo no chuveiro. Um sonho rasgado. Há também as estrelas, os ponteiros do relógio, a infinidade das horas, a palavra como resistência. 

Ainda nesta publicação, as ilustrações de Eliane Fraulob reencontram a poesia do inusitado. Reconheço nestas páginas a rotina da mulher devastada pelo medo. Cerceada em sua arte, em seu brilho, entendida como objeto e posse. Todavia, tudo é muito sutil, e por isso nos espantamos a cada leitura. Talvez nem todas as pessoas reconheçam o vislumbre sombrio em cada poema. 

Para quem quiser conhecer um pouco deste conteúdo, Diana já nos havia apresentado o poema Sete Mortes, em uma edição prévia belíssima em parceria com Vini Willyan, disponível aqui

A violência pode ser física, psicológica, patrimonial. 

E tão invisível, solitária. Palavras Póstumas é poesia de estilhaçar solidão com espelho-espanto e em cada desvio que oferece, traz aroma de liberdade nas frestas das palavras. 

Não há como negar, é um livro triste. E belíssimo. Aos poetas cabe também a arte de captar ou traduzir o belo, ainda que no feio. E isso Diana o faz de forma maravilhosa.



Texto original no Facebook.

Para ler alguns poemas do livros "Palavras Póstumas", clique aqui


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