Antologia Poetrix: Mulherio das Letras
1941
Nomeei minha mala
e segui
no Museu do Holocausto déjà vu
SONHO ANTIGO
luto teimo desato
Xangô me livre
do Capitão do Mato
MULHERIO
Ecoando além do sertão
a Liberdade encarna e grita:
- ELE NÃO!
ABORTIVO
nas estrias do tempo
o ventre parido
ainda sonha com o filho
CONTOS DE FARDAS
A pequena Zuleide
lê-se na História
Princesa sem final feliz…
(O livro “Infância roubada” conta a história de 40 crianças presas pelo DOPS como “miniterroristas”, incluindo Zuleide, na época com 4 anos, e seus dois irmãos. Entre as diversas atrocidades, eram obrigadas a ver suas mães na Cadeira de Dragão.)
TREM AO PASSADO
nos veios do morro
mulheres líquidas
garimpando ilusões
LUTA
Descem ladeiras
vozes negras baianas:
Ventre Livre!
DIÁSPORA
Nanã chora
com as mães de Mariana
filhas de volta ao barro
BODA DE LÁGRIMAS
Pequena pérola afegã
inocência lacerada
aos porcos o dote
MARÉ
sigo anônima
na pele uma dívida
ecos das minhas avós
EXÍLIO
Manhã de domingo
a idosa ainda espera
os filhos perdidos
DILMA R.
Ante teus acusadores
Austera
Enleio e poesia
Antologia Poetrix
Mulherio das Letras
2019
ISBN 978-85-7134-021-3

0 comentários